Dançamos, meu bem!
Na ponta do pé giramos, sem luas nem satélites.
Do rodopio brota a nascente do vento que gira o mundo.
No fundo a gente sabia que cada utopia era o motor de tudo.
Dançamos, meu bem!
Na ponta do pé giramos, sem luas nem satélites.
Do rodopio brota a nascente do vento que gira o mundo.
No fundo a gente sabia que cada utopia era o motor de tudo.
Transbordava linguagem
em solipsismo.
E as palavras soavam plásticas
como kandjis,
urdidas com delicados
fios de sentidos
em tramas sutis.
Era questão de tempo.
Ela esqueceria cada fio de cabelo, cada traço, cada sombra do rosto dele.
Perderia para sempre seu cheiro macio e seu olhar invasor.
Só então se lembraria de como era seu próprio rosto sem ter que olhar-se no espelho.
O deserto bebeu o mar do Aral.
O sal roeu os esqueletos dos barcos e dos bichos.
A terra cuspiu flocos de algodão.
As pessoas viram tudo e evaporaram, remoendo sua omissão e impotência.
O que lia nos livros
Era existir
Em paralelo universo
De versos livres.
Entre folhas
Vestia asas
Despia chamas
Naufragava amores.
Milênios
Amalgamados na estante
Dormiam na espera
Por seus olhos.
O amor esfacelado
morava em um pote
na cozinha.
Temperava os molhos
com o agridoce
desejo partido,
salsa, cebola,
dor e pimenta.
Depois degustava
os pratos sem pressa…
E como sempre,
vertia uma lágrima
pelo canto da boca.
[para Vanessa, gourmet de grande coração]
Ainda março
Por todo lado
Onde passo.
Marzo è pazzo.
Pau e pedra,
Infinito caminho.
![O que havia de líricoElegante e limpoHabitava o olhar de Vivian Maier.O ar entre a face e o espelho Sabia delinear seu desenhoPreciso.
[ Lembrando Vivian Maier (1926 - 2009), uma das maiores fotógrafas do século XX.Grande artista, viveu em completo anonimato. Uma história, um mistério. O olhar de Vivian Maier. ]
http://www.vivianmaier.com/](http://24.media.tumblr.com/tumblr_m0vwvjq0oI1r65dzvo1_400.gif)
O que havia de lírico
Elegante e limpo
Habitava o olhar de Vivian Maier.
O ar entre a face e o espelho
Sabia delinear seu desenho
Preciso.
[ Lembrando Vivian Maier (1926 - 2009), uma das maiores fotógrafas do século XX.
Grande artista, viveu em completo anonimato.
Uma história, um mistério. O olhar de Vivian Maier. ]
Ouvido rouco,
Senhor de ecos.
Cacos de sons
Rasgados em
Finas arestas
Arranham paredes,
Tapam frestas
Por onde antes
Assoviava o vento.
Agora turbinas
Decolam dúbios
Pensamentos
E assombram
Silêncios
Em labirintos
Sem fim.
Para além
desse horizonte
qualquer,
algum nômade
à deriva de si
aponta um rumo
sem fim
e segue pelo
avesso de ser.