cahier du jamais

imagens reinventadas & poéticas avulsas

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Dançamos, meu bem!Na ponta do pé  giramos, sem luas nem satélites. Do rodopio brota a nascente do vento que gira o mundo.No fundo a gente sabia que cada utopia era o motor de tudo.

Dançamos, meu bem!
Na ponta do pé  giramos, sem luas nem satélites.
Do rodopio brota a nascente do vento que gira o mundo.
No fundo a gente sabia que cada utopia era o motor de tudo.

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Transbordava linguagem em solipsismo.E as palavras soavam plásticascomo kandjis, urdidas com delicados fios de sentidos em tramas sutis.

Transbordava linguagem
em solipsismo.
E as palavras soavam plásticas
como kandjis,
urdidas com delicados
fios de sentidos
em tramas sutis.

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Era questão de tempo.Ela esqueceria cada fio de cabelo, cada traço, cada sombra do rosto dele.Perderia para sempre seu cheiro macio e seu olhar invasor.Só então se lembraria de como era seu próprio rosto sem ter que olhar-se no espelho.

Era questão de tempo.
Ela esqueceria cada fio de cabelo, cada traço, cada sombra do rosto dele.
Perderia para sempre seu cheiro macio e seu olhar invasor.
Só então se lembraria de como era seu próprio rosto sem ter que olhar-se no espelho.

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O deserto bebeu o mar do Aral.O sal roeu os esqueletos dos barcos e dos bichos. A terra cuspiu flocos de algodão.As pessoas viram tudo e evaporaram, remoendo sua omissão e impotência.

O deserto bebeu o mar do Aral.
O sal roeu os esqueletos dos barcos e dos bichos.
A terra cuspiu flocos de algodão.
As pessoas viram tudo e evaporaram, remoendo sua omissão e impotência.

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O amor esfaceladomorava em um potena cozinha.Temperava os molhoscom o agridocedesejo partido,salsa, cebola, dor e pimenta.Depois degustavaos pratos sem pressa…E como sempre,vertia uma lágrimapelo canto da boca.
[para Vanessa, gourmet de grande coração]

O amor esfacelado
morava em um pote
na cozinha.
Temperava os molhos
com o agridoce
desejo partido,
salsa, cebola,
dor e pimenta.
Depois degustava
os pratos sem pressa…
E como sempre,
vertia uma lágrima
pelo canto da boca.

[para Vanessa, gourmet de grande coração]

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Ouvido rouco,Senhor de ecos.Cacos de sonsRasgados emFinas arestasArranham paredes,Tapam frestasPor onde antesAssoviava o vento.Agora turbinasDecolam dúbiosPensamentosE assombramSilênciosEm labirintosSem fim.

Ouvido rouco,
Senhor de ecos.
Cacos de sons
Rasgados em
Finas arestas
Arranham paredes,
Tapam frestas
Por onde antes
Assoviava o vento.
Agora turbinas
Decolam dúbios
Pensamentos
E assombram
Silêncios
Em labirintos
Sem fim.

Arquivada em ear labyrinth ouvido labirinto